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COMIDA & VINHO

Comer e Beber nas Cinque Terre

A comida das Cinque Terre é da Ligúria e específica: pesto feito à mão no pilão, anchovas de Monterosso curadas em sal e sciacchetrà, o vinho doce dos terraços.

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O pesto começa mesmo aqui

O pesto não é tanto uma invenção das Cinque Terre, mas sim da Ligúria — e isto é a Ligúria, por isso está a comê-lo perto da origem. A versão tradicional leva manjericão, alho, pinhões, uma mistura de Parmigiano e Pecorino curado, e azeite virgem da Ligúria, tudo pisado num almofariz de mármore com um pilão de madeira, em vez de triturado numa liquidificadora — e é daí que vem o nome. Chega normalmente acompanhado de trofie ou trenette, por vezes com rodelas de batata e feijão-verde cozidos na mesma panela, uma combinação que parece estranha no prato e faz todo o sentido quando se prova. É um prato de montanha e mar, vindo de um lugar que sempre teve mais ervas aromáticas do que planícies agrícolas.

As anchovas salgadas de Monterosso

Monterosso é terra de anchovas, e a anchova salgada é aqui tratada com a seriedade que noutros lugares se reserva ao queijo ou ao presunto. Há gerações que os barcos trabalham estas águas à procura do pequeno peixe prateado, e a preparação clássica consiste em dispô-lo em camadas de sal e deixar o tempo fazer o resto — o resultado é denso, saboroso e nada a ver com a versão de lata que a maioria das pessoas imagina. Também as encontra frescas — fritas em polme leve, ou cruas marinadas em sumo de limão até ficarem opacas e brilhantes. Se comer uma coisa em Monterosso que não consiga arranjar tão bem noutro ponto da costa, que sejam as anchovas, idealmente acompanhadas de um copo do branco local.

Sciacchetrà, o vinho que vale os socalcos

O Sciacchetrà é o vinho para o qual os socalcos foram, muito provavelmente, construídos: um passito doce feito de uvas deixadas a secar após a colheita para concentrar os açúcares, e depois prensadas para dar origem a um pequeno e intenso vinho âmbar. A produção é minúscula — são vinhas tratadas à mão em encostas demasiado íngremes para máquinas — por isso sempre foi precioso, servido no fim da refeição e não durante, muitas vezes com uma bolacha dura para molhar. Espere pagar mais do que por um vinho de sobremesa comum; esse preço é o trabalho das falésias num copo. As garrafas variam muito entre produtores e colheitas, por isso, se um pequeno produtor ou uma enoteca oferecer uma prova antes de comprar, aproveite.

O branco seco que se bebe ao almoço

O vinho do dia a dia da costa é o branco seco das Cinque Terre, feito maioritariamente de uvas locais como Bosco, Albarola e Vermentino, cultivadas nos mesmos socalcos. No seu melhor, é fresco, ligeiramente salino e feito exatamente para o que vai comer — anchovas, marisco, pesto, focaccia — mais do que para contemplação. A qualidade varia muito, porque cultivar estas encostas é difícil e nem todas as garrafas são feitas com o cuidado de uma vinha própria, por isso um branco da casa num sítio movimentado à beira-mar é uma coisa diferente do de um pequeno produtor. Se puder, compre numa enoteca ou a um produtor que trabalhe os próprios socalcos; está também, à sua maneira, a pagar para manter essas paredes de pé.

Focaccia, farinata e as coisas boas e baratas

Algumas das melhores comidas daqui são as mais baratas. A focaccia da Ligúria — com covinhas, oleosa, salgada, por vezes salpicada de cebola ou azeitonas — é um básico da manhã e do meio da tarde, e um quadrado quente comido a andar é um almoço legítimo. A farinata, uma panqueca fina e saborosa de farinha de grão cozida até as bordas ficarem crocantes, é o grande petisco de rua da região e aparece onde quer que haja um forno a lenha. Nenhuma das duas é complicada e ambas viajam bem para um comboio ou para o início de uma trilha. Num sítio tão famoso, vale a pena lembrar que não precisa de uma mesa à beira-mar para comer bem; um balcão de padaria e um saco de papel chegam muitas vezes, e custam uma fração do preço.

Limões, e o fim doce

A costa da Ligúria é uma costa de citrinos, e Monterosso em particular é conhecida pelos seus limões — grandes, perfumados, celebrados com um festival próprio no início do verão. Esse gosto aparece por todo o menu no fim da refeição: limoncino, o licor de limão local, servido frio e em pequena quantidade; bolo de limão; uma granita de limão numa tarde quente que faz mais por si do que qualquer expresso. É uma forma suave de fechar um almoço em que provavelmente se demorou. Nada disto é alta cozinha, e é exatamente esse o ponto — a comida das Cinque Terre é a comida de uma costa trabalhadora, generosa, sazonal e melhor comida sem cerimónias, a olhar para a água.

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